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Published on fevereiro 27th, 2014 | by Camila Garófalo

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“Azul é a cor mais quente” é exibido no Cine Belas Artes de Ribeirão Preto

O amor é azul. Este é o argumento aborda o longa de Abdellatif Kechiche. Lançado recentemente nos cinemas de São Paulo, o filme do francês chega em Ribeirão Preto através do Cine Belas Artes.

Sinopse:

Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma garota de 15 anos que descobre, na cor azul dos cabelos de Emma (Léa Seydoux) sua primeira paixão por outra mulher. Sem poder revelar a ninguém seus desejos, ela se entrega por completo a este amor secreto, enquanto trava uma guerra com sua família e com a moral vigente.

Quando? 24, 25, 26 e 27/02,  às 15h
Onde? Estúdios Kaiser de Cinema,  Rua Mariana Junqueira, 33 - (16) 3625-3600
Quanto? R$ 10 (meia) / R$ 18

Abaixo, confira a nota feita por João Roberto Dib, Curador do Cine Caos de Ribeirão Preto:

Teria sido “Azul é a Cor Mais Quente” a primeira vítima de homofobia pelas produtoras nacionais ou o dinheiro falou mais alto?

No dia  25 de fevereiro de 2014 as redes sociais fervilharam com a informação emitida pela distribuidora Imovision, de que o filme “Azul é a Cor Mais Quente” não seria lançado no mercado nacional de Blu Rays devido a uma resistência da empresa que faria os mesmos devido ao conteúdo do filme.

Logo, a internet fervilhou em raiva e acusações de homofobia e falsa moralidade.

A par destes fatos, algumas pessoas vieram a tona dizendo que isso seria um HOAX, uma notícia falsa publicada pela própria distribuidora, alegando que a mesma nunca lançou blu rays no mercado brasileiro e que o motivo é o valor gasto na produção e não o conteúdo do filme. Entretanto, a Imovision, através de nota oficial lançada agora à pouco confirmou a história e deu nome aos bois.

NOTA OFICIAL: BLU-RAY DE “AZUL É A COR MAIS QUENTE”

“Depois das dificuldades encontradas para a replicação do DVD do filme “Azul é a Cor Mais Quente”, a Imovision procurou a empresa brasileira Sonopress, que replica seus títulos em Blu-ray, mas a mesma se recusou e ainda alegou que nenhuma outra empresa faria o serviço.

A Imovision então contatou a SONY DADC, que também se recusou a produzir o Blu-ray do filme, por considerar o conteúdo inadequado devido às cenas de sexo, apesar do filme já ter sido classificado para maiores de 18 anos.

O filme, vencedor do Festival de Cannes, só poderá ser reproduzido em DVD até o momento. A Imovision, distribuidora do filme, lamenta o fato e busca alternativas para a replicação do filme em Blu-ray no âmbito nacional.”

Antes de mais nada, se realmente for verdade as alegações, a SONY DADC e a Sonopress acabaram de dar um belo tiro no próprio pé quando esse filme já está sendo vendido, e com desconto, pela Criterion Collection e ter um filme como este na sua lista de filmes distribuídos só iria ser meritório e não uma vergonha.

Alegar que tem cenas de sexo fortes só não é desconcertante como sem nexo. A censura do mesmo é 18 anos e outros filmes com o mesmo grau de censura já foram lançados no mercado caseiro. Ainda assim, penso que cunhar as produtoras como homofobicas pode ser uma acusação grave demais. Para aqueles que assistiram ou acompanharam na internet, realmente há um conteúdo sexual muito forte, mas nada que se possa ser considerado explícito ou pornográfico. Faz parte do filme e da sua história.

A crítica a ser feita aqui neste caso é apenas uma: Teria a Imovision se adiantado ao criticar publicamente tais produtoras?

Será que as razões não são meramente de mercado? Ou seja, será que a produção de um blu ray não seria cara demais para um filme que, mesmo aclamado pela internet, não teve um público de destaque nas salas de cinema do Brasil? Não tenho os dados oficiais do Brasil, mas nos EUA o filme arrecadou pouco mais de 2 milhões de dólares em 4 meses de exibição. Em Portugal, o filme arrecadou pouco mais de 49 mil euros. (Fonte: IMDB)

No Brasil, as distribuidoras conseguiram colocar uma ou outra sessão em horários péssimos nas grandes salas de cinema e que só exibiram durante um ou dois finais de semana. Os cinemas fora das grandes redes conseguiram cópias e ainda o está passando, mas a procura pelas sessões é pequena. Realmente, a produção de um blu ray seria um investimento de risco, não pela conotação homossexual do filme apenas, mas porque o público em geral não vai se voltar ao mercado caseiro e comprar sem uma grande campanha de divulgação, coisa que nem Imovision e nem outra produtora irá fazer.

É perigoso acusar de homofobia uma distribuidora que simplesmente se recusa a lançar um filme devido a seu conteúdo sexual. O que não pode acontecer é, se por acaso, uma destas produtoras lançar o blu ray de “Ninfomaníaca” que ao que tudo consta, contém cenas de sexo muito mais explícitas que os de “Azul” e ainda assim teve mais destaque nas salas de cinema. Aí sim estaríamos falando de hipocrisia e homofobia, afinal, um casal de lésbicas se pegando não pode, mas mostrar um casal hétero em cenas de sexo explícito não só pode como deve ser divulgado ostensivamente?

O poder econômico realmente pode ser a resposta dessa situação toda, mas o cheiro de homofobia está no ar e é uma pena que as pessoas ainda precisem se preocupar com este tipo de situação. -

Assista ao trailer:

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About the Author

é formada em Publicidade, informada em Jornalismo e deformada pela Filosofia. Escreve desde que aprendeu a refletir e compõe desde que resolveu musicar tais reflexões. Divaga, rabisca, reescreve e apaga. Acredita que a cultura é um papel em branco no qual cabe a sociedade pintar e bordar quantas vezes forem necessárias. Por esse motivo é sócia-fundadora do Carroça Cultural.



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